27/01/2012

satipaṭṭhāna sutta

Publicado em Sem categoria tagged , às 3:01 por nucleodharmaleiria

Assim ouvi. Em certa ocasião, o Abençoado estava a viver no reino Kuru, numa cidade dos Kurus chamada Kammasādhamma. Aí o Abençoado dirigiu-se aos monges assim: “Monges”. “Venerável senhor”, responderam eles. O Abençoado proferiu o seguinte:

 

[CAMINHO DIRECTO]

“Monges, este é o caminho directo para a purificação dos seres, para a superação da tristeza e da lamentação, para o desaparecimento de dukkha e do descontentamento, para a aquisição do verdadeiro método, para a realização de Nibbāna, nomeadamente, os quatro satipaṭṭhānas:

 

[DEFINIÇÃO]

Quais são os quatro? Nisto, monges, no que respeita ao corpo, um monge permanece contemplando o corpo, diligente, com compreensão clara e atenção plena, livre de desejo e descontentamento no que respeita ao mundo. No que respeita às sensações, ele permanece contemplando as sensações, diligente, com compreensão clara e atenção plena, livre de desejo e descontentamento no que respeita ao mundo. No que respeita à mente, ele permanece contemplando a mente, diligente, com compreensão clara e atenção plena, livre de desejo e descontentamento no que respeita ao mundo. No que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas, diligente, com compreensão clara e atenção plena, livre de desejo e descontentamento no que respeita ao mundo.

 

[RESPIRAÇÃO]

E como é que, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo, monges? Nisto, tendo ido para a mata ou para junto da raíz de uma árvore ou para uma cabana vazia, ele senta-se; tendo cruzado as suas pernas, colocado o seu corpo erecto e estabelecida atenção plena à sua frente, inspira plenamente atento, expira plenamente atento.

Inspirando prolongadamente, ele sabe ‘Inspiro prolongadamente’, expirando prolongadamente, ele sabe ‘Expiro prolongadamente’. Inspirando brevemente, ele sabe ‘Inspiro brevemente’, expirando brevemente, ele sabe ‘Expiro brevemente’. Ele treina-se assim: ‘Irei inspirar experienciando todo o corpo’, ele treina-se assim: ’Irei expirar experienciando todo o corpo’. Ele treina-se assim: ‘Irei inspirar acalmando a formação corporal’, ele treina-se assim: ‘Irei expirar acalmando a formação corporal’.

Tal como um torneador hábil ou o seu aprendiz, quando faz um torneamento longo, sabe ‘Faço um torneamento longo’, ou quando faz um torneamento curto, sabe ‘Faço um torneamento curto’, da mesma forma, inspirando prolongadamente, ele sabe ‘Inspiro prolongadamente’… (continue como acima).

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo internamente, ou permanece contemplando o corpo externamente, ou permanece contemplando o corpo tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir no corpo, ou permanece contemplando a natureza do cessar no corpo, ou permanece contemplando a natureza tanto do surgir como do cessar no corpo. A consciência de que ‘há um corpo’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo.

 

[POSTURAS]

De novo, monges, quando está a andar, ele sabe ‘Estou a andar’; quando está de pé, ele sabe ‘Estou de pé’; quando está sentado, ele sabe ‘Estou sentado’; quando está deitado, ele sabe ‘Estou deitado’; ou sabe conforme o seu corpo estiver disposto.

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo internamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no corpo. A consciência de que ‘há um corpo’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É também assim que, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo.

 

[ACTIVIDADES]

De novo, monges, quando vai em frente e volta para trás ele age com compreensão clara; quando olha em frente e desvia o olhar ele age com compreensão clara; quando flecte e estende os membros ele age com compreensão clara; quando usa as suas vestes e carrega as suas vestes exteriores ele age com compreensão clara; quando come, bebe, quando se alimenta e saboreia ele age com compreensão clara; quando evacua e urina ele age com compreensão clara; quando está a andar, de pé, sentado, a adormecer, a acordar, a falar e calado ele age com compreensão clara.

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo internamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no corpo. A consciência de que ‘há um corpo’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É também assim que, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo.

 

[PARTES ANATÓMICAS]

De novo, monges, ele examina este mesmo corpo para cima desde as plantas dos pés e para baixo desde a ponta dos cabelos, cercado pela pele, como estando cheio de vários tipos de impurezas, assim: ‘neste corpo, há cabelos, pêlos, unhas, dentes, pele, carne, tendões, ossos, medula óssea, rins, coração, fígado, diafragma, baço,  pulmões, intestinos, mesentério, conteúdos do estômago, fezes, bílis, expectoração, pus, sangue, suor, gordura, lágrimas, secreções gordurosas, saliva, muco nasal, lubrificante articular e urina.’

Tal como se houvesse um saco com aberturas em ambas as extremidades, cheio de uma diversidade de grãos, tais como arroz do monte, arroz vermelho, feijões, ervilhas, milho-miúdo e arroz branco e um homem com bons olhos o abrisse e examinasse assim: ‘isto é arroz do monte, isto é arroz vermelho, isto são feijões, isto são ervilhas, isto é milho-miúdo, isto é arroz branco’; da mesma forma ele examina este mesmo corpo… (continue como acima).

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo internamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no corpo. A consciência de que ‘há um corpo’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É também assim que, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo.

 

[ELEMENTOS]

De novo, monges, ele examina este mesmo corpo, conforme esteja colocado, conforme esteja disposto, como sendo constituído por elementos, assim: ‘neste corpo há o elemento terra, o elemento água, o elemento fogo e o elemento ar’.

Tal como se um carniceiro hábil ou o seu aprendiz tivesse morto uma vaca e estivesse sentado num cruzamento com ela cortada em pedaços; da mesma forma, ele examina este mesmo corpo… (continua como acima).

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo internamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no corpo. A consciência de que ‘há um corpo’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É também assim que, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo.

 

[CADÁVER EM DECOMPOSIÇÃO]

De novo, monges, tal como se ele visse um cadáver atirado para um cemitério a céu aberto – morto há um, dois ou três dias, inchado, lívido e exsudando matéria… sendo devorado por corvos, falcões, abutres, cães, chacais ou vários tipos de vermes… um esqueleto com carne e sangue, unido com tendões… um esqueleto sem carne manchado com sangue, unido com tendões… um esqueleto sem carne e sem sangue, unido com tendões… ossos desligados e dispersos em todas as direcções… ossos branqueados, da cor das conchas… ossos empilhados com mais de um ano… ossos podres esmigalhando-se em pó – ele compara este mesmo corpo com aquele assim: ‘também este corpo é da mesma natureza, será assim, não está isento daquele destino.’

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo internamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no corpo. A consciência de que ‘há um corpo’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É também assim que, no que respeita ao corpo, ele permanece contemplando o corpo.

 

[SENSAÇÕES]

“E como é que, no que respeita às sensações, ele permanece contemplando as sensações, monges?

Nisto, quando sente uma sensação agradável, ele sabe ‘Sinto uma sensação agradável’; quando sente uma sensação desagradável, ele sabe ‘Sinto uma sensação desagradável’; quando sente uma sensação neutra, ele sabe ‘Sinto uma sensação neutra’.

Quando sente uma sensação mundana agradável, ele sabe ‘Sinto uma sensação mundana agradável’; quando sente uma sensação não mundana agradável, ele sabe ‘Sinto uma sensação não mundana agradável’; quando sente uma sensação mundana desagradável, ele sabe ‘Sinto uma sensação mundana desagradável’; quando sente uma sensação não mundana desagradável, ele sabe ‘Sinto uma sensação não mundana desagradável’; quando sente uma sensação mundana neutra, ele sabe ‘Sinto uma sensação mundana neutra’; quando sente uma sensação não mundana neutra, ele sabe ‘Sinto uma sensação mundana neutra’

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita às sensações, ele permanece contemplando as sensações internamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar nas sensações. A consciência de que ‘há sensação’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita às sensações, ele permanece contemplando as sensações.

 

[MENTE]

“E como é que, no que respeita à mente, ele permanece contemplando a mente, monges?

Nisto, ele conhece uma mente com luxúria como sendo com ‘luxúria’ e uma mente sem luxúria como sendo ‘sem luxúria’; ele conhece uma mente enraivecida como sendo ‘enraivecida’ e uma mente sem raiva como sendo ‘sem raiva’; ele conhece uma mente iludida como sendo ‘iludida’ e uma mente sem ilusões como sendo ‘sem ilusões’; ele conhece uma mente contraída como sendo ‘contraída’ e uma mente dispersa como sendo ‘dispersa’; ele conhece uma mente grande como sendo ‘grande’ e uma mente estreita como sendo ‘estreita’; ele conhece uma mente superável como sendo ‘superável’ e uma mente insuperável como sendo ‘insuperável’; ele conhece uma mente concentrada como sendo ‘concentrada’ e uma mente desconcentrada como sendo ‘desconcentrada’. Ele conhece uma mente liberta como sendo ‘liberta’ e uma mente não liberta como sendo ‘não liberta’.

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita à mente, ele permanece contemplando a mente internamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no que respeita à mente. A consciência de que ‘há uma mente’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita à mente, ele permanece contemplando a mente.

 

[OBSTÁCULOS]

“E como é que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas, monges? Nisto, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos cinco obstáculos. E como é que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando osdhammas em termos dos cinco obstáculos?

Se o desejo sensorial está presente nele, ele sabe ‘há desejo sensorial em mim’; se o desejo sensorial não está presente nele, ele sabe ‘não há desejo sensorial em mim’; e ele sabe como pode surgir o desejo sensorial que ainda não surgiu, sabe como pode ser removido o desejo sensorial que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento do desejo sensorial que já foi removido.

Se a aversão está presente nele, ele sabe ‘há aversão em mim’; se a aversão não está presente nele, ele sabe ‘não há aversão em mim’; e ele sabe como pode surgir a aversão que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida a aversão que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da aversão que já foi removida.

Se a preguiça e o torpor estão presentes nele, ele sabe ‘há preguiça e torpor em mim’; se a preguiça e o torpor não estão presentes nele, ele sabe ‘não há preguiça nem torpor em mim’; e ele sabe como podem surgir a preguiça e o torpor que ainda não surgiram, sabe como podem ser removidos a preguiça e o torpor que já surgiram e sabe como pode se prevenir o futuro surgimento da preguiça e do torpor que já foram removidos.

Se a inquietação e a preocupação estão presentes nele, ele sabe ‘há inquietação e preocupação em mim’; se a inquietação e a preocupação não estão presentes nele, ele sabe ‘não há inquietação nem preocupação em mim’; e ele sabe como podem surgir a inquietação e a preocupação que ainda não surgiram, sabe como podem ser removidas a inquietação e a preocupação que já surgiram e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da inquietação e da preocupação que já foram removidas.

Se a dúvida está presente nele, ele sabe ‘há dúvida em mim’; se a dúvida não está presente nele, ele sabe ‘não há dúvida em mim’; e ele sabe como pode surgir a dúvida que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida a dúvida que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da dúvida que já foi removida.

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammasinternamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no que respeita aosdhammas. A consciência de que ‘há dhammas’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos cinco obstáculos.

 

[AGREGADOS]

De novo, monges, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos cinco agregados do apego. E como é que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos cinco agregados do apego?

Nisto, ele sabe ‘tal é a forma material, tal é o seu surgir, tal é o seu cessar; tais são as sensações, tal é o seu surgir, tal é o seu cessar; tal é a percepção, tal é o seu surgir, tal é o seu cessar; tais são as formações volitivas, tal é o seu surgir, tal é o seu cessar; tal é a consciência, tal é o seu surgir, tal é o seu cessar.’

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammasinternamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no que respeita aosdhammas. A consciência de que ‘há dhammas’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos cinco agregados.

 

[ESFERAS DOS SENTIDOS]

De novo, monges, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos das seis esferas dos sentidos internas e externas. E como é que, no que respeita aosdhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos das seis esferas dos sentidos internas e externas?

Nisto, ele conhece o olho, conhece formas e conhece a amarra que surge na dependência de ambos; e também sabe como pode surgir uma amarra que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida uma amarra que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da amarra que já foi removida.

Ele conhece o ouvido, conhece sons e conhece a amarra que surge na dependência de ambos; e também sabe como pode surgir uma amarra que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida uma amarra que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da amarra que já foi removida.

Ele conhece o nariz, conhece odores e conhece a amarra que surge na dependência de ambos; e também sabe como pode surgir uma amarra que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida uma amarra que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da amarra que já foi removida.

Ele conhece a língua, conhece sabores e conhece a amarra que surge na dependência de ambos; e também sabe como pode surgir uma amarra que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida uma amarra que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da amarra que já foi removida.

Ele conhece o corpo, conhece objectos palpáveis e conhece a amarra que surge na dependência de ambos; e também sabe como pode surgir uma amarra que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida uma amarra que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da amarra que já foi removida.

Ele conhece a mente, conhece objectos mentais e conhece a amarra que surge na dependência de ambos; e também sabe como pode surgir uma amarra que ainda não surgiu, sabe como pode ser removida uma amarra que já surgiu e sabe como se pode prevenir o futuro surgimento da amarra que já foi removida.

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammasinternamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no que respeita aosdhammas. A consciência de que ‘há dhammas’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos das seis esferas dos sentidos.

 

[FACTORES DO DESPERTAR]

De novo, monges, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos sete factores do despertar. E como é que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos sete factores do despertar?

Nisto, se o factor do despertar da atenção plena está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da atenção plena está presente em mim’; se o factor do despertar da atenção plena não está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da atenção plena não está presente em mim’; ele sabe como pode surgir o factor do despertar da atenção plena que ainda não surgiu e sabe como se pode aperfeiçoar através do desenvolvimento o factor do despertar da atenção plena que surgiu.

Se o factor do despertar da investigação de dhammas está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da investigação de dhammas está presente em mim’; se o factor do despertar da investigação de dhammas não está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da investigação dedhammas não está presente em mim’; ele sabe como pode surgir o factor do despertar da investigação de dhammas que ainda não surgiu e sabe como se pode aperfeiçoar através do desenvolvimento o factor do despertar da investigação de dhammas que surgiu.

Se o factor do despertar da energia está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da energia está presente em mim’; se o factor do despertar da energia não está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da energia não está presente em mim’; ele sabe como pode surgir o factor do despertar da energia que ainda não surgiu e sabe como se pode aperfeiçoar através do desenvolvimento o factor do despertar da energia que surgiu.

Se o factor do despertar da alegria está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da alegria está presente em mim’; se o factor do despertar da alegria não está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da alegria não está presente em mim’; ele sabe como pode surgir o factor do despertar da alegria que ainda não surgiu e sabe como se pode aperfeiçoar através do desenvolvimento o factor do despertar da alegria que surgiu.

Se o factor do despertar da tranquilidade está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da tranquilidade está presente em mim’; se o factor do despertar da tranquilidade não está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da tranquilidade não está presente em mim’; ele sabe como pode surgir o factor do despertar da tranquilidade que ainda não surgiu e sabe como se pode aperfeiçoar através do desenvolvimento o factor do despertar da tranquilidade que surgiu.

Se o factor do despertar da concentração está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da concentração está presente em mim’; se o factor do despertar da concentração não está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da concentração não está presente em mim’; ele sabe como pode surgir o factor do despertar da concentração que ainda não surgiu e sabe como se pode aperfeiçoar através do desenvolvimento o factor do despertar da concentração que surgiu.

Se o factor do despertar da equanimidade está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da equanimidade está presente em mim’; se o factor do despertar da equanimidade não está presente nele, ele sabe ‘o factor do despertar da equanimidade não está presente em mim’; ele sabe como pode surgir o factor do despertar da equanimidade que ainda não surgiu e sabe como se pode aperfeiçoar através do desenvolvimento o factor do despertar da equanimidade que surgiu.

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammasinternamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no que respeita aosdhammas. A consciência de que ‘há dhammas’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos dos sete factores do despertar.

 

[NOBRES VERDADES]

De novo, monges, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos das quatro nobres verdades. E como é que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos da quatro nobres verdades?

Nisto, ele sabe tal como realmente é, ‘isto é dhukkha’; ele sabe tal como realmente é, ‘isto é a origem de dhukkha’; ele sabe tal como realmente é, ‘isto é a cessação de dhukkha’; ele sabe tal como realmente é, ‘isto é o caminho que leva a à cessação de dhukkha.’

 

[REFRÃO]

Deste modo, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammasinternamente … externamente … tanto internamente como externamente. Ele permanece contemplando a natureza do surgir … do cessar … tanto do surgir como do cessar no que respeita aosdhammas. A consciência de que ‘há dhammas’ estabelece-se nele apenas na medida necessária para o mero conhecimento e atenção plena contínua. E ele permanece independente, não se apegando a nada no mundo.

É assim que, no que respeita aos dhammas, ele permanece contemplando os dhammas em termos das quatro nobres verdades.

 

[PREDIÇÃO]

Monges, se qualquer pessoa desenvolvesse estes quatro satipaṭṭhānas desta forma por sete anos, poder-se-ia esperar um de dois frutos: ou conhecimento final aqui e agora ou, se ainda houvesse um vestígio de apego, não-retorno. Para nem falar em sete anos… seis anos… cinco anos… quatro anos… três anos… dois anos… um ano… sete meses… seis meses… cinco meses… quatro meses… três meses… dois meses… um mês… meio mês… se qualquer pessoa desenvolvesse estes quatro satipaṭṭhānas desta forma por sete dias, poder-se-ia esperar um de dois frutos: ou conhecimento final aqui e agora ou, se ainda houvesse um vestígio de apego, não-retorno. Então, foi em relação a isto que se proferiu:

 

[CAMINHO DIRECTO]

Monges, este é o caminho directo para a purificação dos seres, para a superação da tristeza e da lamentação, para o desaparecimento de dukkha e do descontentamento, para a aquisição do verdadeiro método, para a realização de Nibbāna, nomeadamente, os quatro satipaṭṭhānas.”

Foi isto o que o Abençoado proferiu. Os monges ficaram satisfeitos e deliciados pelas palavras do Abençoado.

 

- Anālayo (2003), satipaṭṭhāna: the direct path to realization, p.3-13

Tradução: Micael Inês

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